CAPITULO DOIS
Londres;
Oxford; Sexta feira; 06:57 a.m
Anne Marie saiu do carro do irmão, Filipe, colocando a mochila nas
costas.
-Obrigada Lipe! Até mais – a irmã disse.
-Até. – Filipe disse dando marcha no carro e desaparecendo pela
rua.
Anne deu um suspiro pesado e caminhou em direção ao portão do
colégio.
Deu logo de cara com Jennifer, sua melhor amiga desde o primário.
-E ai amiga?! – Jennifer disse indo até a amiga.
-Bem. – Anne disse baixo.
-Seu pai, ele está mal, não é? – Jenny sabia por que a amiga
estava triste. E sabia muito bem.
Anne Marie apenas assentiu com a cabeça e seguiram para as salas
em silêncio, cada uma indo para sua respectiva sala.
O resto do dia também foi assim, triste. Sem palavras, sem sentimentos, sem gestos que demonstravam algo.
Assim que o último sinal soou, Anne Marie saiu apressadamente da
sala, sem querer ver Jennifer, pois sabia que a amiga a faria fazer algo no
qual se arrependeria no dia seguinte.
Viu Filipe na porta do colégio com seu Honda Civic preto, sorrindo
de alguma conversa vista no seu i Phone.
Anne entrou no Civic sem dizer nada, apenas virou o rosto para a
janela.
-Lipe, será que você pode me deixar no hospital antes de ir para
casa? – a garota perguntou baixo, mas sabia que o irmão a ouvira.
Filipe desfez o sorriso de seu rosto com a pergunta da irmã.
-Anne, porque você ainda insiste em ir lá? Sabe que ele não vai
aguentar, e que vai morrer. Se não agora, algum dia isso acontecerá. E eu não
quero ver você sofrer por isso, que é oque você anda fazendo ultimamente. -Filipe
disse.
-Lipe, você não entende. Ele é o nosso pai! O meu pai! Eu o amo,
não quero vê-lo morrer! – Anne dizia encarando o irmão, sentindo as lágrimas
escorrerem por seu rosto pálido.
Anne sabia que Filipe não era filho biológico de Katherine e John,
ele era filho apenas de Katherine. Já ela, era filha dos dois mesmo.
-Você que não entende! – Filipe dizia já aumentando o tom de voz.
– Eu também te amo! Eu, a mamãe, a Jennifer e até mesmo seu pai! E, como uma
pessoa que te ama, eu não quero ver você sofrer!
Anne Marie não disse nada, apenas virou novamente para a janela e
o silêncio se instalou.
-Você vai ou não me deixar lá? – a menina quebrou o silêncio.
-Tudo bem. – foi à última coisa que ouviu de Filipe.
Colocou seus fones de ouvido e ativou a playlist de seu i Phone
Em poucos minutos lá estavam os dois, parados, dentro do Civic, na
porta do St Mary’s.
-Obrigada. – Anne Marie disse e saiu do carro.
Viu Filipe arrancar com o carro rapidamente, mais rápido que o de
costume.
Entrou no hospital, indo em direção à recepção.
-Boa tarde! Posso ajuda-la? – uma mulher baixa de cabelos curtos
de aproximadamente seus 50 anos disse.
-Boa tarde, eu gostaria de visitar um paciente, John Willians. –
disse tirando seus fones.
-Ah sim, ele está em estado muito grave. Verei se podem receber
visitas. A senhoria, quem seria?
-A filha dele.
-Ah sim. Já volto, só um minuto. – a senhora disse, desaparecendo
por uma porta.
Logo ela voltou com um crachá em mãos.
-Ele não pode receber visitas, mas como você é filha do senhor
Willians, poderá vê-lo. Mas apenas 15 minutos, certo? – ela dizia entregando a
Anne o crachá.
-Claro. Só 15 minutos. Obrigada. – Anne disse pegando o crachá que
a senhora estendia-lhe.
-Vá na sala de espera que logo lhe chamarão.
-Ok. – Anne Marie disse seguindo para a sala de espera.
Minutos depois um médico apareceu a chamando-lhe.
-Senhorita Willians? – o médico perguntou.
-Eu. – Anne disse dando pause
na música e tirando os fones.
-Pode entrar. Apenas 15 minutos. – o médico disse e a garota
assentiu com a cabeça, entrando na sala.
Quando entrou, se arrependeu por um minuto do seu ato e de não
ouvir Filipe mais cedo.
Viu seu pai deitado em uma cama, pálido e com soro instalado nas
veias.
Lágrimas vieram ao seu rosto. Anne tentou segura-las, mas pareceu
impossível.
Aproximou-se da cama onde se encontrava seu John e sentou-se em
uma poltrona próximo à cama.
Ficou algum tempo em silêncio até que resolveu se pronunciar.
-Oi. – ela disse baixo, vendo o pai abrir um pouco os olhos, mas
fecha-los logo em seguida.
Segurou-lhe a mão e disse:
-Ontem, eu estava lembrando de quando eu era pequena, que você
sempre disse que eu nunca devia temer a morte. Lembra quando a vovó morreu que
eu quis chorar e você disse que eu não devia chorar por dois motivos? – Anne
dizia acariciando a mão do pai. – Primeiro, que todo mundo um dia nasce e
morre. E segundo que moça não chora. Sabe, tá difícil não chorar ultimamente...
Anne Marie olhou para o celular e pegou o mesmo.
-Olha só, e estava ouvindo essa música por um motivo. Ela me
lembra de você. – Anne disse e deu play na música.
That I love you
I have loved you all along
And I miss you
been far away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
And you'll never go
Stop breathing if
I don't see you anymore
Anne limpou as lágrimas assim que viu o mesmo médico de pouco tempo
atrás entrando na sala.
-Er... Senhorita Willians, já deu 15 minutos. – o médico disse.
-Ah, sim. – Anne Marie disse se levantando.
Deu um beijo na testa do pai e sussurrou um “Até logo” e saiu da sala.

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